Conforme eu previa, o domingo foi mesmo histórico em Porto Alegre. A elegância, o talento, o carisma, o samba, a história viva que têm – que são – Garacy e Monarco, tudo envolto no manto da simplicidade sincera (eis o segredo, meus amigos), contribuíram para um fim de semana de sonhos para os amantes do samba e da cultura brasileira na capital gaúcha.Como infelizmente não pude estar lá, deixo o meu amigo Eduardo Gerhardt, o idealizador desse troço (e que me mandou as fotos), contar, e do jeito como me relatou em emocionado e-mail, às tantas da madrugada de ontem, segunda-feira. E assim começamos este dezembro, na véspera do Dia Nacional do Samba e na semana em que - ai, meu Deus! - o meu nome é nervosismo e ansiedade, por conta do meu Flamengo – que terá, não tenham dúvida e não acreditem nas bobagens que andam dizendo, um jogo dificílimo no domingo.
Fala, xará:
“Cara, ontem, quando começamos a tocar, o olho encheu de água. Com toda a galera cantando os sambas da primeira até a última frase. Era, literalmente, o samba na rua! Na rua mesmo! Do lado do povo. Modéstia à parte, a nossa roda estava foda! Trio de tamborins, agogô, frigideira, reco-reco de madeira, caixa de guerra, atabaques, cuíca... Uma cadência violenta!
Quando o Monarco começou a cantar, muita gente chorava. Teve gente que veio de cidades a 300 km de Porto Alegre para participar desse momento. Ele improvisou, mandou coisas fora do 'script', e a cada grave que ele soltava, a galera vinha abaixo.
O clima estava tão bom que o Monarco puxou até umas marchinhas de carnaval, velho! Acreditas? Aí ele ganhou o povo de vez.
Depois da linda apresentação, foram pro hotel. Aí, deu uns 30 minutos, quem volta pro samba? Guaracy! Do alto da sua simplicidade sem igual, ele chega 'à paisana', senta do meu lado e comenta: 'Edu, o Monarco se arrepiou com esses meninos aqui, hein!'
Esse foi o clima... Por isso fizemos questão (e faremos sempre!) de que fosse uma festa na rua, no meio do povo, de onde o samba nunca deveria ter saído.
Foram dois dias que renderam dois almoços e duas jantas de muitas histórias. O Monarco é mais fechado, chega mais quieto... Mas logo, logo se solta e conta histórias maravilhosas, de que até Deus duvida, sobre Noel, Ismael, Paulo da Portela, Cartola e cia...
Já o Guaracy é casa cheia! Tranqüilo, sempre sorrindo, topando todas. Chegou no hotel e já fomos pra um boteco, pra uma mesa na calçada, tomar umas e bater papo.
Registramos muita coisa dos caras, daqueles vídeos que daqui a 30 anos servirão para contar histórias. Só pra dar um exemplo: no churrasco de sábado à noite (em que o Monarco disse que não cantaria, mas soltou a voz mais que todo mundo, com uma história atrás da outra), ele falava sobre Mangueira, Cartola... Aí, pediu o tom ao Guará e mandou "O mundo é um moinho", seguida de "As rosas não falam". Ali, num banquinho, nos fundos da garagem da casa de um dos parceiros da nossa roda. Esse foi o nosso 'ensaio' para o dia seguinte...”
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Leiam, ainda, o que escreveu a respeito o jornal Zero Hora (e vejam vídeos!) - AQUI.
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Então, de novo: pau na canalha e viva a verdadeira Portela!













